É fácil perceber que a problemática do trabalho nas oficinas de costura na cidade de São Paulo e região está cada vez mais sendo trazida a tona pelos meios de comunicação. Notícias são veiculadas tanto na imprensa escrita (Folha de São Pauolo, Estado de São Paulo, etc) como nos telejornais dos maiores canais do Brasil (Globo, Record, etc). No entanto é também fácil perceber que as oficinas de costura irregulares na cidade de São Paulo e região não estão diminuindo, pois a procura por melhores condições de vida no Brasil, também não está diminuindo. Milhares de pessoas continuam trabalhando 18 horas, em ambientes inadequados, sem atendimento médico e com medo de serem deportadas.
A mobilização dos órgãos públicos brasileiros com relação a este tema é cada vez mais evidente, não entanto, este problema social só poderá ser resolvido desde que todas as entidades envolvidas ajam em conjunto, não só o poder público ou entidades civis de cunho filantrópico, mas também a comunidade imigrante quem, em princípio, se beneficiará de forma direta e imediata.
A Escola de Informática e Cidadania do Centro de Apoio ao Migrante, EIC-CAMI, já deu os primeiros passos nesta direção, mais novos desafios foram aparecendo ao longo do caminho. Foi assim que as parcerias com outras instituições e organizações foram necessárias para que este trabalho não só continue mais atinja cada vez um número maior de pessoas.
1. Presença da América Latina, PAL.
A PAL é uma instituição não governamental que nasceu para ser um instrumento de coesão para um grupo de comunidades imigrantes que têm uma história, uma língua e muitos traços culturais em comum. Possui um longo histórico de atuação junto à comunidade latina em busca da inserção na sociedade brasileira, promovendo e apoiando programas de formação e assistência principalmente aos grupos de maior vulnerabilidade. Sendo assim, desde a criação do Telecentro do Centro de Apoio ao Migrante, em 2006, PAL vem apoiando este projeto, que constitui um meio de fomentar dentro da comunidade latina a cidadania, através não só do conhecimento dos seus direitos e deveres, mas principalmente a lutar por eles.
Oriana Jara, presidenta da ONG PAL, entregando certificados
na formatura da primeira turma da EIC CAMI.

2. Organização Internacional do Trabalho, OIT Brasil.
Uma das formas mais abrangentes de informação é a audiovisual. Levando isto em conta, a EIC CAMI produziu o vídeo “Imigrantes Latino americanos em São Paulo”, realizado inteiramente por jovens imigrantes latino americanos, para ser lançado na segunda edição do Dia Mundial do Imigrante, celebrada na Praça da Sé, na cidade de São Paulo. O objetivo era expor neste importante dia as dificuldades enfrentadas por quem, seja pelo motivo que for, se vê na necessidade de deixar sua pátria, família e amigos. O vídeo foi veiculado na Internet, no site do youtube, para que fique acessível a quem tiver interesse em conhecer esta realidade. Devido ao êxito desta primeira produção e pensando em continuar utilizando esta ferramenta na procura de soluções que melhorem as condições de vida da comunidade, a EIC CAMI em parceria com a Organização Internacional do Trabalho –OIT- produzirá três vídeos que visam retratar a realidade vivida pelos mais de 300.000 imigrantes, cuja atividade principal é a costura, e apontar a necessidade urgente do Brasil mudar o Estatuto do Estrangeiro para erradicar a exploração deste tipo de mão de obra.
Marcia Vasconcelos e Rodrigo Pena da OIT conversam
com a comunidade imigrante no CAMI.

3. O Telecentro AME da Coordenadoria de Inclusão Digital da Secretaria Especial para Participação e Parceria da Prefeitura de São Paulo.
Com o objetivo de permitir que um número maior de imigrantes possa ter acesso aos recursos básicos de informática, a EIC CAMI estabeleceu uma parceria com o Telecentro AME, localizado no Bairro de Bom Retiro, e que faz parte dos 1.200 telecentros abertos pelo programa de inclusão digital da Secretaria Especial de Participação e Parceria da Prefeitura de São Paulo. O curso teve uma duração de 01 mês e foi a primeira vez que o espaço foi ocupado por um grupo constituído inteiramente por imigrantes latino-americanos. O êxito desta experiência piloto em ocupar um espaço público permitirá que esta mesma ação possa ser ampliada para outros telecentros localizados em diferentes bairros onde se concentra a maior densidade de imigrantes de origem hispânica.
Primeira turma de imigrantes latino-americanos participando
do programa de Inclusão Digital da Prefeitura da cidade de São Paulo.
